início

É de facto um ato radical de amor estar durante algum tempo simplesmente sentado, em silêncio e sozinho.

Jon Kabat-Zinn

o que é

A palavra inglesa mindfulness traduz o termo da língua pali sati, que se refere a uma qualidade de atenção vigilante. Sati significa lembrar, manter a atenção num objeto (seja ele mental, físico ou outro).

Na sua utilização mais recente, mindfulness implica um conjunto de práticas ou técnicas contemplativas usadas para o desenvolvimento da atenção e da consciência do momento presente, mas também o estado de consciência promovido pela prática dessas técnicas. Outra forma de explicar, Mindfulness é uma qualidade e a meditação, a forma de cultivar essa qualidade.

Assim, Mindfulness é definido como…

 “[a consciência que surge ao] prestar atenção a alguma coisa, de uma forma específica, intencionalmente, no momento presente, sem julgamentos”

(Jon Kabat-Zin, Massachusetts Medical School)

Esta “consciência atenta” tem qualidades específicas que a diferenciam de simplesmente estar atento:

intencionalidade de estar atento

abertura de estar presente e de ser honesto em relação ao que está a surgir no momento

observação do que está a acontecer em vez de tentar controlar a experiência

porquê praticar?

A prática de mindfulness, ao longo do tempo, ajuda a “desligar o piloto automático”, a voltar ao presente e ao que está a acontecer aqui e agora.

E apesar de simples, esta prática implica treino, pois, a nossa mente rapidamente se distrai. Os praticantes aprendem assim a focar e sustentar a atenção, aceitando a sua experiência com abertura e curiosidade, em vez de uma forma crítica – pois aquilo que fazemos ou pensamos repetidamente, é a isso que estamos a dar força. E tal como se treinássemos um músculo do corpo, mindfulness reforça áreas do nosso cérebro que nos permitem ter mais concentração e responder aos eventos da nossa vida com mais eficácia e flexibilidade.

No treino de mindfulness aprendemos a usar as sensações do corpo e as sensações da respiração como âncoras, algo que nos ajuda a não partir à deriva.

O que vamos descobrir é que os nossos pensamentos são simplesmente eventos mentais, e não factos, podemos por isso notar que surgem e deixá-los seguir, em vez de permitirmos que sejam fonte de distração e de preocupação. Podemos parar e escolher a resposta a dar em determinada situação, em vez de reagir automaticamente sob o efeito da irritação, do stress, etc. Ou seja, mindfulness ajuda-nos a ser menos impulsivos e reativos, a olharmos os nossos comportamentos de uma forma mais compreensiva, mas também com mais perspetiva.

Gradualmente podemos modificar hábitos mentais e padrões de comportamento que nos prejudicam, como a ruminação, o nível de stress, a ansiedade e a depressão. O treino de mindfulness vai reduzir a nossa tendência para colocar tudo em categorias, bom, mau, indiferente, encorajando-nos a trazer mais perspetiva e mais clareza para as nossas vidas.


A capacidade de relaxar não está dependente de atividades e lugares, é um cultivar interno da capacidade de estar em paz consigo e com o mundo.



Mingyur Rinpoche

benefícios

Hoje em dia, são publicados centenas estudos científicos por ano sobre mindfulness. Esses estudos indicam que a prática de mindfulness é responsável por mudanças que levam a uma melhor qualidade de vida e a um maior bem-estar mental e físico dos seus praticantes. E mais especificamente, ao ativar o córtex pré-frontal, responsável pelo equilíbrio, regulação e coordenação de funções essenciais ao nosso bem-estar (Siegel, 2007), a prática de mindfulness contribui para:

regulação corporal – equilíbrio do sistema nervoso simpático (acelerador) e parassimpático (travão) – demasiado “travão” traduz-se em entorpecimento e rigidez; demasiado “acelerador” resulta numa energia caótica; quando os nossos corpos estão regulados, o nível de vigilância e energia é apropriado ao contexto

autoconsciência – um sentido de si mesmo que cria uma história de vida coerente ao relacionar a consciência do presente, a nossa história de vida e imagens do futuro. Esta função cria memórias com uma textura emocional, essenciais para construir conexões sociais positivas

comunicação em sintonia, ressonância – envolve a coordenação dos dados que recebemos dos outros com a atividade da nossa própria mente. Leva a que os outros se sintam ouvidos, compreendidos. Quando estamos mais em sintonia connosco, a habilidade de nos sintonizarmos com os outros é desenvolvida

empatia – cultivada a partir da autoconsciência e da ressonância. A empatia permite-nos ver do ponto de vista do outro, imaginar a sua realidade e perspetiva; esta habilidade é evidentemente essencial em todo o tipo de relacionamentos. Os nossos cérebros são “desenhados” para nos permitir sentir o que pode estar a acontecer na mente de outra pessoa

regulação emocional: a experiência emocional é ativada de uma forma apropriada, de maneira que a vida tem vitalidade e sentido. Quando as emoções estão desequilibradas, sentimo-nos esmagados e emocionalmente devastados. Quando as emoções não são reguladas, experienciamos estagnação ou depressão ou o sentimento de que a nossa vida não tem sentido.

modulação do medo: a capacidade de acalmar e até desaprender os nossos medos

flexibilidade de resposta: a capacidade de parar antes de agir ou reagir; ser capaz de considerar uma variedade de opções e escolher a partir delas; a flexibilidade de ir para além das respostas habituais, com um sentimento de espaço e possibilidade

intuição – acesso à sabedoria do corpo, especificamente as redes complexas neuronais à volta das vísceras, os órgãos ocos, incluindo os intestinos e o coração. Estas áreas constituem um “cérebro” que processa informação e experiências, aprende e toma decisões. Esta inteligência intuitiva informa e influencia o nosso raciocínio

moralidade – tomar em consideração uma perspetiva abrangente, imaginando e agindo de acordo com o que é o melhor para um grupo alargado, e não apenas para nós

(uma outra qualidade vai possivelmente ser adicionada à lista, depois de completados e prosseguidos estudos sobre a questão: a gratidão)

(adaptado de Dan Siegel The Mindful Brain)


objetivos

Estas páginas nasceram da necessidade de partilhar informação e recursos para apoiar os profissionais da área do Mindfulness, as pessoas interessadas na formação na área, e todos os que se interessam e querem iniciar ou dar continuidade a uma prática pessoal de Mindfulness.

O que queremos oferecer:

  • um diretório de profissionais e entidades que facilitam programas validados pelos mais recentes estudos em neurociências e que integram aspetos fundamentais da existência humana – vivência experiencial, emocional, mental e ética – para nutrir pessoas, grupos, comunidades
  • sugestões de entidades e caminhos de formação
  • recursos (livros, vídeos, artigos, etc.)